domingo, 23 de janeiro de 2011

Viagem a Brasília

Novamente
disseram
o Direito é uno!
É preciso ser parcial!

- A nossa recuperação empresarial é um instituto jurídico que pode ser chamado de reerguimento da atividade empresarial proveniente em parte do equivalente do direito francês redressement...

Estremecimento
medo
que voz mesquinha...

- A palavra greve provém de uma palavra francesa que remete às pedras da França e...

O Direito é uno!
O Direito é uno!
O Direito é uno!

Como será a França!?
Será como essas pedras?
Como as que serviram de estrutura para edificar universidades?

A França
Ah... a França
Paris...

Será igual a Brasília?
Brasília externa o pensamento francês
e é o pensamento francês
tradição política
e cultural
culítica...

Não.
Não pode
Não deve ser...

Ah... Paris...
suas luzes...
o Sena...
seus jardins...
suas vielas...

Sujeira acaba com a beleza
A política!
Proporção sem emoção
Ah... a política...

2 comentários:

  1. Esta viagem a Brasília foi mesmo impactante... Lembro de um outro poema ou texto de João Augusto em que ele falava dos prédios de Brasília... Não? (tente encontrá-lo João, e coloque também aqui no blog).
    Gostei da síntese: "proporção sem emoção" - a política e a cidade de Brasília.
    A cidade de Brasília como a corporificação da política, e ao mesmo tempo deste "pensamento francês", pedra que deu origem a USP e as universidades brasileiras. Que por sua vez geraram Niemayer e a disseminação do comunismo, que gerou a arquitetura planejada racionalmente da capital.
    Depois Paris, nem tão francesa, pelo menos não ao gosto do "pensamento francês". Que cruel comparação, justamente Paris, que tb é uma capital, não tão política (nem tão racional) quanto Brasílía, é verdade.
    Que loucura esta idéia de Brasília! Corporifica mesmo a maior loucura do homem, que é aquela que provém da razão (como diz Chesterton).Prova disto é o caos que existe para fora dos muros do plano piloto, tão louco como o comunismo que o inspirou.
    Impossível não lembrar o iluminismo e sua luz racional, também ele bastante francês, com a sua revolução, mãe da revolução russa...
    A mesma loucura racional que gera o direito mesquinho a la Kelsen, "proporção sem emoção".

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  2. Uma bela leitura do texto... Você está ficando bom em crítica literária! Acho que não tenho nem mais muito o que dizer... Mas se ajuda: o poema é fruto de minha primeira ida a Brasília e sintetiza vários outros acontecimentos, alguns ocorridos na USP, outros nos meus primeiros anos de contato com o mundo jurídico.

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